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Análise: Moonlight Peaks traz o ambiente sobrenatural para o simulador de fazendas

Análise: Moonlight Peaks traz o ambiente sobrenatural para o simulador de fazendas

Desenvolvido pela Little Chicken e publicado pela XSEED Games, Moonlight Peaks é um jogo de fazendinha que combina as mecânicas tradicionais desse estilo com uma abordagem sobrenatural. Nele, controlamos a mais jovem vampira da Família Drácula que começa uma nova vida longe do castelo junto com outras criaturas mágicas como lobisomens, fantasmas e bruxas. Mesmo com uma dinâmica sem muitas surpresas na sua base, o título consegue se destacar por incorporar muito bem a temática na jogabilidade, além de apresentar muitos personagens carismáticos. Uma fuga da Família Drácula  A história começa com a nossa protagonista, uma vampira que decide fugir do seu castelo e se muda para uma fazenda abandonada em Moonlight Peaks. A motivação de nossa personagem é mostrar para o seu pai que é possível levar uma vida baseada na compaixão, mesmo sendo uma criatura morta-viva. Para provar seu ponto, ela decide reerguer o local e, de quebra, desvendar os mistérios das famílias que habitam a região. Na prática, essa trama funciona mais como um pano de fundo para justificar a nossa jornada. A relação com os familiares continua acontecendo de forma sutil através de cartas que recebemos ao longo dos dias e o foco da campanha acaba se concentrando na nossa relação com os demais personagens. De início, o título já entrega muitas opções de personalização com estética gótica, incluindo uma boa variedade de cabelos, roupas e maquiagens, sendo possível comprar dezenas de novas peças de vestimentas. Diferente de outros jogos do gênero que ocorrem sob a luz do dia, aqui as ações acontecem exclusivamente durante a noite, entre 18:00 e 6:00, já que o sol faz mal para a vampira. O relógio do jogo é generoso, com as noites sendo relativamente longas, o que dá tempo de fazer bastante coisa sem aquela correria desesperada comum em outros simuladores.  Os habitantes da cidade possuem rotinas próprias com base no horário, dia da semana e estação do ano. Um grande acerto do jogo está em usar o contexto de monstros para criar situações engraçadas. O carisma dos NPCs vem justamente desse contraste, com criaturas teoricamente assustadoras lidando com problemas comuns do dia a dia, como um lobisomem preocupado com um banco de praça destruído, uma bruxa que faz poções duvidosas e um vampiro alcoólatra que causa muita confusão. Liberdade econômica e o foco na customização Na parte da jogabilidade, Moonlight Peaks foca na diversão e na dinâmica rápida. É muito fácil ganhar dinheiro logo no começo da campanha. Mesmo antes de ter plantações grandes para colher, você consegue faturar relativamente bem coletando itens simples espalhados pelo chão, como flores e conchas na praia, além de pescar através de um quick time event bem prático. Aplicar melhorias na fazenda e nas ferramentas também é relativamente barato. Essa facilidade para enriquecer tira o peso do gerenciamento financeiro e transforma o desafio do jogo em algo mais criativo. O foco aqui é montar a fazenda do seu próprio jeito e no seu ritmo, sem pressa ou senso de urgência. Isso não significa que o jogo seja simples, sendo necessário que você invista na capacidade do seu inventário, gerencie o espaço físico dos baús, expanda sua fazenda e se planeje para ter os melhores itens para venda. Os personagens frequentemente fazem pedidos específicos em missões, o que exige que você tenha um estoque variado de recursos guardados. O planejamento dessas plantações também exige atenção, já que cada hortaliça tem seu próprio tempo para ficar pronta e depende de estações específicas. Além disso, saber gerenciar o espaço do terreno é fundamental, já que no início do jogo criar plantações grandes demais acaba dificultando a rotina, pois cuidar de tudo manualmente nos obriga a gastar muita estamina.  Para ajudar a aliviar esse trabalho, a protagonista ganha acesso a uma varinha mágica com poderes que são desbloqueados com o tempo e agilizam as tarefas de colheita e limpeza. Entre uma atividade e outra, o jogo ainda preenche o nosso tempo com mineração, forja, fabricação de poções, artesanatos e um jogo de cartas que você pode jogar contra os moradores. Todas as atividades têm seu grau de importância, seja para ter mais melhorias na rotina ou para melhorar a amizade com os personagens. Visualmente belo, mas com problemas O aspecto audiovisual entrega resultados bem mistos. Os gráficos são belíssimos e muito coloridos, com um destaque enorme para os modelos em estilo chibi dos personagens, que são pequenos, cabeçudos e cheios de detalhes. Os cenários também chamam a atenção por serem ricos em elementos, aproveitando muito bem os efeitos de iluminação para dar um contraste à ambientação noturna. Em contrapartida, a trilha sonora deixa bastante a desejar, com músicas que não se encaixam com a temática do jogo e que enjoam tão rápido que, na maior parte do tempo, acabei preferindo tirar o som e ouvir outra coisa por fora. A interface do usuário também entrega resultados divididos. O lado positivo é o sistema de decoração da fazenda, que facilita a atividade de mover os objetos de lugar e planejar o layout do terreno com uma mecânica de arrastar e manejar que é muito intuitiva e prática. O problema real aparece na hora de mexer nos menus. Mudar itens de posição dentro da mochila, organizar o inventário e transferir recursos para dentro dos baús de armazenamento são tarefas travadas e maçantes. A seleção de ferramentas através do menu circular também é um pouco imprecisa e incomoda o ritmo do gameplay. Por fim, vale destacar que o título não conta com uma localização para o português. Como o jogo depende muito da leitura de diálogos para o desenvolvimento das amizades, incluindo um sistema de escolhas de falas, além de descrições detalhadas de itens e missões, a falta de tradução para o nosso idioma prejudica bastante a experiência de quem não domina o inglês.  Muita personalidade dentro do gênero No geral, Moonlight Peaks pega uma estrutura clássica e já muito conhecida de gerenciamento rural e adapta essa fórmula de maneira competente para o contexto de um mundo mágico e habitado por monstros. Os problemas de interface, a falta de tradução e a trilha sonora fraca acabam atrapalhando um pouco, mas não tiram o mérito de um jogo que tem potencial de se destacar em um mercado tão saturado. No fim, é uma opção muito divertida e cheia de personalidade para quem procura um ar fresco dentro do gênero. Prós A temática sobrenatural é bem aplicada à rotina noturna e à ambientação; Os habitantes são carismáticos, com designs em estilo chibi e personalidades divertidas; O ritmo livre de pressa e a economia acessível deixam a experiência mais agradável; O uso da varinha mágica e o sistema intuitivo de arrastar objetos facilitam a rotina na fazenda. Contras A interface é pouco elaborada e o gerenciamento de inventário não é bem executado; A trilha sonora é fraca e repetitiva, não acompanhando a qualidade do visual; Ausência de localização em português brasileiro. Moonlight Peaks — Switch/Switch 2/Android/PC — Nota: 7.5 Versão utilizada para análise: PC Revisão: Ives Boitano Análise feita com cópia digital cedida pela XSEED Games Moonlight Peaks 7.5 Sigla da plataforma utilizada na análise "Overall, Moonlight Peaks takes a classic, well-established farming sim structure and competently adapts the formula into a magical world inhabited by monsters. While interface issues, a weak soundtrack, and a lack of localization hold it back a bit, they don't take away from a game that has the potential to stand out in a heavily saturated market. Ultimately, it is a highly entertaining casual option full of personality for anyone looking for a breath of fresh air within the genre." Matéria originalmente publicada no GameBlast.

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14h atrás